Notícias com Alta Repercussão
25/08/2009
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China sinaliza corte de emissões de CO2
Pais asiático tem meta para diminuir emissões
até 2030
A China precisa de metas rígidas para que suas emissões de gases do efeito estufa desacelerem
e comecem a cair até 2030, indica um estudo produzido por um grupo de pesquisadores ligados ao
governo do país.
O apelo por "metas quantificáveis" para limitar a poluição de gases-estufa se opõe à política
adotada por Pequim, que até agora vinha evitando assumir compromissos de corte.
"Em 2008, a China se tornou o país que mais emite gases-estufa, e agora encara desafios sem
precedentes", afirma o relatório de 900 páginas, reconhecendo publicamente que a população
chinesa ultrapassou a americana em queima de combustíveis fósseis -apesar de a emissão per
capita ser mais alta nos EUA. "Assim que possível, é preciso estudar e esboçar metas relativas e
depois absolutas para limitar o volume total de emissões de CO2."
O documento, intitulado "Relatório de Energia e Emissões de CO2 na China de 2050", propõe que o
aumento das emissões desacelere acentuadamente em 2020 e passe a cair a partir de 2030.
Se a meta for alcançada, daqui a quatro décadas a produção de gases-estufa por queima de
combustível fóssil no país "pode cair para o mesmo nível de emissões de 2005, ou até mais",
afirma o estudo.
Apesar de produzido por assessores do governo chinês, o relatório não equivale a uma declaração
política. O documento sinaliza, porém, que a China deve buscar uma posição para permitir a
construção de um consenso no próximo acordo global de corte de emissões. O tratado, que deve
ser firmado em dezembro num encontro em Copenhague, dará continuidade ao Protocolo de Kyoto,
que expira em 2012.
Pelo acordo atual, a China e outros países em desenvolvimento estão desobrigados de metas de
corte de emissões. Até agora, o governo chinês vinha resistindo a pressões para que essa regra
mude.
"Este relatório pretende mostrar ao governo [chinês] quais são suas opções", diz Deborah
Seligsohn, da ONG World Resources Institute, que promove políticas contra o aquecimento global.
"Acho que eles estão concentrando bastante seus esforços para levar as negociações adiante."
Clima nos bastidores
No início do mês, o embaixador chinês para assuntos de clima, Yu Qingtai, afirmou que seu país
pretende reduzir a curva de crescimento das emissões assim que possível.
Na próxima semana, o Comitê Permanente --autoridade do Partido Comunista que define as
prioridades a serem apreciadas no parlamento chinês-- deve analisar um outro relatório sobre
política para mudança climática, afirmou a agência de notícias estatal Xinhua.
Os autores do novo relatório incluem especialistas em clima de organizações chinesas como o
Instituto de Pesquisa Energética e o Centro de Pesquisa em Desenvolvimento, que assessoram o
governo. Os pesquisadores reforçam que o estudo é um trabalho científico e não um plano de
metas definitivo. As propostas, porém, já passaram pelas mãos de autoridades e foram
mencionadas numa reunião de cúpula do partido na semana passada. O documento também lista
os problemas estruturais que a China pode vir a ter com o aquecimento global.
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