Notícias com Baixa Repercussão
20/09/2005
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Katrina e aquecimento global
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Sebastião Almeida (*)
A população de todo o mundo está acompanhando os efeitos devastadores do furacão Katrina em cidades do Sul dos Estados Unidos, principalmente na cidade de Nova Orleans. São centenas (talvez milhares) de mortos e bilhões de dólares de prejuízos, provocando uma dor que ficará marcada para sempre na história daquele país. E o pior ainda pode estar por vir nos próximos anos, não só para os Estados Unidos, mas para todos os países. Cientistas alertam sobre uma possível
relação entre os furacões e o aquecimento global do planeta. O primeiro estudo sobre o assunto está sendo apresentado agora por cientistas norte-americanos. O método da pesquisa foi fazer um levantamento de furacões em todas as bacias oceânicas nos últimos 35 anos, quando esses
fenômenos começaram a ser detectados por satélites. A conclusão é que, embora o número total de furacões esteja estável e até diminuindo em alguns pontos, a quantidade de furacões nos níveis 4 e 5 " os mais intensos " estão
aumentando. Ainda é cedo para uma afirmação concreta, mas o alerta está dado. Infelizmente, tragédias como a de Nova Orleans podem se tornar cada vez mais freqüentes. O climatologista brasileiro Alexandre Pezza, da Universidade de
Melbourne, na Austrália, alerta para o fato de que o aquecimento global das águas do mar exige que a humanidade esteja cada vez mais preparada para
fenômenos climáticos severos, como o Katrina.
A tese é baseada no surgimento dos furacões na natureza. Para se formarem, são necessárias grandes quantidades de ar quente e úmido, em mares tropicais com temperatura superior a 26,5 ° C. Ao subir, o ar quente faz com que o vapor de água contido nele se condense. Esse processo libera o calor contido no vapor. Conforme a liberação de calor prossegue, é criada uma zona de
baixa pressão, que continua a atrair ar quente e úmido. O centro da tempestade começa a girar e surge o furacão. Esse processo explica a possível relação com a elevação da temperatura na
Terra. Quanto maior o aquecimento global, maior a temperatura dos mares e a chance de formação de um furacão, como o que foi enfrentado pelos
norte-americanos. E o Brasil não está livre do problema. A suposta tranqüilidade que tínhamos
em relação aos fenômenos naturais foi por água abaixo em 2004, quando o Catarina, primeiro furacão registrado no país, se abateu sobre o litoral de Santa Catarina, causando grandes estragos. Não é de hoje que os cientistas alertam para os perigos do efeito estufa. Mas, infelizmente, é necessário que tragédias como a provocada pelo Katrina tenham de acontecer para dar o alerta. Aos poucos, a natureza começa a dar o seu troco diante de tanta irresponsabilidade do homem com os recursos naturais. E esse troco está cada vez maior. A poluição do ar já causa uma série de
transtornos e perigos, como a destruição da camada de ozônio e elevação das temperaturas. As loucuras climáticas já são sentidas faz tempo. As estações do ano vão aos poucos perdendo suas divisões clássicas. No inverno faz calor
e vice-versa. Não sentimos mais aquele friozinho do outono e as primaveras estão mais secas. As conseqüências também são sentidas na agricultura. Este ano, por exemplo, o Rio Grande do Sul enfrentou a pior seca dos últimos 50 anos e que causou prejuízos de mais de R$ 2,5 bilhões, por causa da quebra da safra. E os prejuízos, como mostrou o Katrina, já não são apenas materiais. São vidas humanas. É claro que toda cautela é necessária antes de se fazer uma relação direta entre o aquecimento e os furacões. Mas os estudos não deixam dúvidas de que é muito provável que isso esteja acontecendo. Infelizmente, parece que o mundo continua atrelado àquele velho ditado
popular " a pessoa só adquire o costume de trancar a porta depois que um ladrão entra na casa.
(*) O autor é deputado estadual pelo PT, presidente da Comissão de Meio
Ambiente da Assembléia Legislativa e coordenador da Frente Parlamentar em
Defesa da Água. E-mail: gotadagua@sebastiaoalmeidapt.com.br
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